Fornecendo críticas há 2 anos, o OSN é uma colaboração de Gabriel Papaléo e Joaquim Pedro, onde o Cinema é o assunto principal a ser analisado, debatido e admirado.
Old School Nerds
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
Especial Sci-Fi - Cult vs Blockbuster
sábado, 20 de novembro de 2010
Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1 - Crítica 2
Não é difícil imaginar o que passou pela cabeça de J.K.Rowling quando esta começou a saga de sete livros de Harry Potter com um pré-adolescente diante de um mundo inteiro novo a descobrir. A jornada do pequeno bruxo , é - e isto é óbvio -uma metáfora para a vida adolescente, e por isso talvez o produto criado por Rowling faça tanto sucesso e seja tão bem aceito mundialmente. Ao passo que o tempo chega, entretanto, adolescentes crescem, amadurecem, ganham responsabilidades e saem da escola. Não é diferente, portanto, o que acontece com o bruxo inglês criado pela escritora. O último livro da série, lançado há três anos, colocava um ponto final épico na história. Os nossos heróis por fim arranjavam uma solução para seus problemas, saiam da escola , e desafiavam seus inimigos. Neste último livro, que tem qualidade grande , por sinal, os garotos que ''vimos'' crescer se tornavam enfim, o mais próximos de adultos o possível.
E se a série foi transformada sem pensar duas vezes em franquia cinematográfica, era preciso empregar a mesma sensação no último capítulo da série de filmes. O tom adulto já foi sendo aplicado a partir do quarto filme, para ser definitivamente explorado no quinto. Assim como nos livros, que passaram por uma sofisticação narrativa a partir do quarto volume, tomando um rumo mais sério do quinto em diante. Agora, no capítulo final, a série iria precisar de mais um ajuste - e ele seria a transformação definitiva de ''meninos'' em ''homens''. Talvez nem tanto na forma literal - eles na história tem apenas 17 anos - mas no modo de se ver o mundo. Tal modo de se ver o mundo também será, querendo ou não , compartilhado por quem assiste ao filme. Muito lógico, portanto, que Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1 , seja o mais dramático e sério dentre todos os precedentes.
E devido a grande quantidade de informação contida no livro e também por essa mudança de rumo, o episódio final do bruxo nas telas teve que ser dividido em duas partes . Tal atitude tem conotações variadas , tanto para o estúdio quanto para o público. Para o estúdio, dividir o filme em dois é positivo, pois, na lógica capitalista, dois filmes valem obviamente mais que um . Para quem assiste, pode-se dizer um pouco dos dois. É bom por um lado, pois a adaptação terá mais tempo e espaço para transferir toda o conteúdo da obra literária. Por outro, temos um problema que parece até inesperado - a obra isolada perde um pouco de sua força.
A trama segue , como sempre, os nossos três heróis determinados. A diferença é que dessa vez eles estão em posição de xeque - Voldemort ( Ralph Fiennes) está com força e influência total para capturar e matar Harry Potter. Isto fará com que ele e os dois amigos - Rony e Hermione - se distanciem da família para a segurança destes. A partir daí, eles precisam por em prática a última esperança que restou para derrotar O Lorde das Trevas - achar as Horcruxes que faltam ser destruídas.
A narrativa em si é deveras diferente das que foram desenvolvidas em filmes anteriores . Apesar do mesmo roteirista (Steve Kloves) estar presente desde o primeiro filme, desta vez ele tem não mais a tarefa de cortar as partes desnecessarias e enxutar as histórias dos calhamaços de Rowling em um longa de no máximo 2 horas e 30 minutos. O estúdio dessa vez deu luz verde para que o filme adaptasse o livro com a maior fidelidade possível, afinal, haveria dois filmes, e não apenas um . O receio era obviamente apertar muitos acontecimentos e muitas emoções em pouco tempo, e portanto é compreensível e, até certo ponto, sensata a decisão dos realizadores. O resultado , pelo menos para quem leu o livro, é um certo regojizo glorioso de ver páginas e páginas que você passou horas imaginando se concretizando na frente de seus olhos . Diálogos inteiros foram trascritos para o script, e as partes que precisavam ser cortadas ficaram muito bem adaptadas. Até aqui, sem a menor dúvida, é o filme mais fiél á obra da escritora inglesa. Tanto visualmente quanto em estrutura narrativa, há uma fidelidade quase obsessiva com o livro, coisa que só vi em algumas adaptações de HQs. E isso é muito bom.
É também muito bom ver que o roteiro é mais focado no drama, como deveria ser. O rumo da história a partir daqui, deve ser para algo mais adulto, maior e mais sério, sem dúvidas. Assim foi com o livro, e assim segue no filme. A maior parte do filme se passa com poucas pessoas sendo filmadas - basicamente os três protagonistas - em paisagens desertas, como montanhas ,florestas, pradarias. O drama neste ponto é intimista, interessante e muito necessário para a preparação de espírito dos personagens para o que vem a seguir. Como na vida real, é a fase de casulo que vai separar o adolescente do adulto. O livro baseia grande parte de sua história nesse momento, e no filme ele tem essa parte representada com justiça.
Entretanto, se o filme perde em alguma coisa, é na sua divisão. Não é por reclamar de falta de ação - afinal o filme tem sequencias de ação - mas é que o cerne da história, as grandes viradas e grandes revelações se concentram na última parte, que vai demorar ainda um pouco para chegar. Não que este filme tenha menos importancia, mas é fato que a parte mais épica fica mais próxima do final, ou seja, na segunda parte. Isso gera , mesmo que num volume quase homeopático, um empalidecimento da primeira parte. Ossos do ofício, um problema que nem se baseia no próprio filme em si, mas na expectativa gerada em cima dos dois.
E o papel de David Yates no filme não pode ser ignorado. As sequencias na mata , nos ambientes
mais isolados , são quase dignos de filmes independentes, e , portanto, é preciso o mínimo de talento para carregar a narrativa sem perder o ritmo ou deixar o caldo desandar. Yates mostra que tem o necessário para fazer o filme se manter vivo nesse perído, e mesmo sem grandes arroubos, demonstra que faz o que é simples bem, e que consegue variar entre o drama de câmera na mão com os close-up nas correrias. É a sua direção mais comum até aqui, mas mesmo assim continua muito boa. E o que continua muito boa é atrilha sonora. A entrada de Alexandre Desplat não poderia ter sido mais saudável, e mesmo fazendo o que já foi testado - som de violino no grau que indica grandiosidade - ele demonstra ser diferenciado. Ponto para quem o escolheu.
Está cada vez mais próximo o fim da franquia de Harry Potter. E é muito bom saber que ocorreu, como qualquer adolescente, o amadurecimento final, tão necessário. Ele era algo anunciado, e enfim se concretiza. Por fim, resta a nós esperar pelo o último filme da série, que vem daqui a aproximadamente seis meses. Continua. Em breve.
5 Estrelas - Nota 8
Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 1 - Crítica 1
David Yates consolida a série como algo a mais que aventura descompromissada.que eram apenas "mais do mesmo"(como as séries atuais Crepúsuculo e Percy Jackson), resolveu amadurecer. Aproveitando sua competência adquirida com os 3 primeiros livros, J.K. criou O Cálice de Fogo com uma pegada um pouco mais séria. E isso fez um sucesso tão grande que ficou viável criar os 3 últimos livros com um clima bem mais denso.
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Old School Trailers - Parte 3
O filme do diretor Jonathan Liebesmann agradou a todos no painel da Comic-Con e sua narrativa parecida com jogo parecia perfeita. A trama assumidamente rasa também casa bem com o ar de batalha sem limites. Porém, o trailer apresentou um tom mais sério que o normal e isso pode preocupar, apesar de se constatar que, mesmo sendo pouco inovador, o trailer funciona e dar o ar de ansiedade que o filme precisa. Agora, é esperar a pancadaria começar e torcer pra ela não se levar á sério.
*** 3 Estrelas
Lanterna Verde
Muita desconfiança estava a cerca desse filme. Porém, quando o uniforme surgiu, a confiança começou a aumentar e, mesmo muito claro, o uniforme inspirava e era fiel. Mas Ryan Reynolds e seu tom engraçadinho continuavam incomodando. E o trailer acaba com essa desconfiança... e cria algumas outras. O início, regado a rock 'n' roll, parece DEMAIS Homem de Ferro. Ryan não está a altura do conciso personagem que é Hal Jordan, mas parece que vai segurar o tranco. PORÉM, OA está perfeita visualmente e o design é fantástico e o tom trash dos personagens alienígenas se reflete pelos ótimos efeitos e a maquiagem vitoriosa, com direito a um hipnótico Sinestro. Visualmente incrível, divertido e fiel, o trailer inspira. Mas talvez a história deveria se levar um pouco mais a sério e ser menos Marvel.
**** 4 Estrelas
Skyline
Os irmãos Strause são especialistas em efeitos, mas como diretores são deploráveis. Criaram o risível Alien vs Predador 2, que conseguiu ser pior que o primeiro. Mas agora, com um orçamento minúsculo de 10 Milhões, os Irmãos parecem ter acertado a mão. Apostando mais no seu talento dos efeitos, o trabalho dos dois é hercúleo e os aliens estão perfeitos, mesmo que sejam iguais aos do genial game Crysis. Sem se preocupar com atuações(que estão ridículas) e roteiro(raso como pires), o filme parece que se consolidará como a pérola trash mais divertida desse ano.
*** 3 Estrelas
domingo, 14 de novembro de 2010
Senna - Crítica 2
A apoteose filmada de um gênio.Talvez um dos poucos heróis nacionais, Ayrton Senna é um mito. Além de ser um caso raro de herói, o piloto só é aumentado quando vemos sua vida pessoal. Diferente de cantores promíscuos ou drogados, Senna foi um exemplo dentro e fora de sua carreira, ajudando os outros da forma que pôde. Em tempos difíceis para o Brasil, fim de ditadura culminando para o violento movimento pró-diretas já, o brasileiro fazia mágica com o que tinha nas mãos e trazia um pouco de felicidade aos rostos cansados do povo nacional da época. Porém, o acervo de arquivo da Fórmula 1 e do próprio Senna sempre foi bem restrito, só sendo divulgado pra documentários menores, de revistas especializadas. Aliás, confesso rapidamente ser fã extremo do piloto, tendo visto esses documentários e acompanhado incansavelmente a carreira do gênio, mesmo ele tendo morrendo 1 ano antes de meu nascimento. E agora é muito bom constatar que uma equipe se reuniu pra liberar os tais vídeos de arquivo e fazer um documentário sobre a vida do mito. A equipe em si são os ingleses da Working Title, famosos pelas comédia-românticas aclamadas como Bridget Jones e Simplesmente Amor. Será que eles conseguiriam criar um produto á altura do que Senna foi?
O documentário segue toda a tragetória de Ayrton Senna nas grandes corridas, desde os espetaculares créditos iniciais em seu Mundial de Kart até a sua morte, em 1994. As imagens, capturadas em sua maioria pela FISA(emissora oficial da F1) e inéditas em tela, são organizadas em temporadas, a cada ano. Além disso, os depoimentos das pessoas sobre Senna, como Ron Dennis e Reginaldo Leme(ainda temos antológicas narrações de Galvão Bueno orginais), não quebram o ritmo das imagens e são apenas comentados em off, sendo que os entrevistados nunca aparecem em tela, o que dá um ar mais ficcional ao filme.
A decisão do filme de Asif Kapadia em retratar apenas os anos de Fórmula 1, com breves passagens do Mundial de Kart em 1978, é vitoriosa. Aquela máxima de humanizar a figura retratada, aqui é totalmente esquecida. Essa decisão ajuda a narrativa e o foco do documentário se torna, assim como no genial O Equilibrista, mitificar o indivíduo, editando o filme de uma forma que o público seja imparcial. Podendo ser vista pelos puristas como uma estratégia manipuladora e centralizada, essa decisão nem sempre é ruim, de fato que apenas reforça ainda mais a aura de gênio que trás o personagem. Quando a pessoa tem uma vida exemplar, essa imparcialidade é benéfica. Tanto que Phillipe Petit, Ayrton Senna ou Muhammed Ali não deixam de ser mais(ou menos gênios) só pela beatificação realizada em seus documentários.
Essa tal imparcialidade não existe apenas no campo documental. Quando estrategicamente posta para causar impacto, ela só ajuda a narrativa e a emoção, como por exemplo Menina de Ouro. A emoção da virada de personagem de Hilary Swank não seria a mesma se suas adversárias não fossem vilanizadas o filme inteiro. Mas se em O Equilibrista Phillipe Petit é visto como o gênio sem vilão, o único foco do filme, Senna é mais próximo de Quando Éramos Reis. Senna tinha seu próprio nêmesis, Alan Prost, mas sua luta era contra toda a política errônea e arrogante da Fórmula 1 na época. Assim como Ali, que lutou pelos negros, na terra dos negros, contra George Foreman, o vilão, o negro domesticado pela América. Conflito de ideologias se mistura com a apoteose filmada do piloto genial.
Humanização em filmes biográficos é normal. Em alguns casos, temos assombrosos retratos de figuras famosas(ou fatos famosos, no caso de Platoon) que impressionam e se tornam obras-primas, como os filmes de Oliver Stone(Nixon, The Doors, W. e até mesmo seu recente doc. sobre Hugo Chávez). Porém, o jogo de cena(ou ficcionalização dela, como no supra-citado O Equilibrista), é mais um retrato apaixonado do diretor sobre o indíviduo em questão do que próprio maniqueísmo. Esse jogo, ainda que torne o documentário mais próximo da ficção(e consequentemente do cinema), é válido em certos pontos. Mesmo que Senna não precise de nenhuma edição esperta pra tornar sua vida mais exemplar, a escolha do diretor em usar o jogo é interessante e torna a experiência mais cinematográfica e bonita, até mesmo provando que é desnecessária uma dramatização da vida do piloto. Então estaria o diretor criando um conto de fadas sobre um santo? De jeito nenhum. Asif Kapadia vê a tragédia a cerca da morte de Senna com tanto pesar que demonstra explicitamente que não é necessária nenhuma humanização exacerbada do herói. Existe humanização maior que a morte do piloto durante uma corrida? Em certo ponto, Prost fala que Senna acha que não pode morrer. Naquela fatídica curva Tamburello, o documentário humanizou Senna da forma que precisava.
A direção de Asif Kapadia é genial. Mesmo sendo um documentário, o diretor não tendo nenhuma liberdade e não podendo filmar nada, Kapadia organiza suas peças de forma espetacular e tira emoção de cada cena que pode. Depoimentos emocionados do povo brasileiro, chegando a citar que Senna é o unico motivo de alegria do país, são de uma sensibilidade cênica do diretor que chega a deslumbrar pelo simples fato de ser uma maravilha de película. A direção ainda se torna maior se formos ver a equipe responsável. A edição é de tirar o fôlego, sendo essencial pra tal mitificação do herói nacional. Passagens se tornam antológicas com a ágil edição, como a tensão recorrente entre Senna e Prost, as corridas finais dos campeonatos e as partes mais emotivas, como o enterro do herói, mesclado de forma linda com imagens do piloto vivo com seus amigos. Pra melhorar, a trilha sonora de Antonio Pinto é de um repertório magnífico, mesmo relembrando algumas notas de seu trabalho em O Senhor das Armas. Seu violino agressivo, misturado com notas tristes orquetradas no background, dão o tom exato a todo o documentário, que é bem sucedido musicalmente nas partes felizes e mais ainda nas tristes.
Entrando no panteão dos grandes documentários, Senna é um motivo de orgulho pro povo brasileiro. Mesmo sendo uma equipe estrangeira retratando um herói nacional em tela, é de verter lágrimas dos olhos o fato dessa equipe ter se demonstrado apaixonada pela figura exemplar de Ayrton. Um legítimo herói, um ícone, um mito, um gênio. E agora, uma lenda. Mesmo que os Cazuzas insistam em provar que os meus herói morreram de overdose, é um alento ao coração ver um sujeito que ajuda os outros como pode, auxilia as crianças, faz seu trabalho de forma genial e ainda é crente em uma força superior com fé contagiante. Senna é o maior herói do meio cultural da história brasileira e, sem dúvida, o profissional mais hábil e competente dos automotivos. O melhor que já existiu. E para isso, não é necessário mais que 3 títulos, 41 vitórias, 65 poles e 19 voltas mais rápidas. Quem agraciou Senna entende, perfeitamente, que quantidade não é qualidade. Na sua breve passagem pela vida, Senna já deixou saudades. Em seus efêmeros 10 anos de Fórmula 1, meu ídolo pessoal fez mais que qualquer Schumacher ou Piquet poderia fazer em 100.
***** 5 Estrelas - Nota 9,5
Senna - Crítica 1
O herói visto como tal.No meio da Fórmula 1, não há muita controvérsia quando o nome de Ayrton Senna é citado – Como Niki Lauda mesmo já constatou “ Ele foi o melhor piloto que já existiu ”. E talvez nós, brasileiros, sejamos os principais a saber disso. Mais do que um piloto excepcional, para nós ele era um símbolo, um exemplo, um orgulho quase unânime do público brasileiro geral. Que Senna foi um verdadeiro herói nacional, disso todo mundo sabe. O homem bondoso, que servia de exemplo e era admirado pelo povo , é lembrado até hoje. E a vida de alguém como ele era, de fato, cinematográfica. E cinematografia do tipo épica, quase um gênero de sandália e espadas, só que passada nas pistas . E por muito tempo esperamos por uma representação adequada e definitiva da vida de Senna no cinema. E ela veio.
O filme de Asif Kapadia já começa vencedor por entrar pelo caminho mais adequado ao tema – retratar a vida de Senna em suas glórias, seus feitos – e não tentar executar o já meio clichê de revelar o “homem por trás do mito” ou “ as mulheres da vida” ou “ a vida fora das pistas” . Qualquer tipo de realização assim não teria a relevância que este Senna tem. Afinal , este filme não é uma biografia completa de Ayrton Senna, mas sim um retrato de sua obra, seus dez anos ativos na Fórmula 1 , que desenharam a face do grande piloto e marcaram a vida do mesmo.
E quem assiste a um documentário como esse, logo percebe que o ídolo não precisaria de uma dramatização. O longa é construído apenas com imagens de arquivo, todas daquela época ( 1984 – 1994) e com comentários de ex-pilotos, chefes de equipe, comentaristas esportivos e familiares . Isso torna tudo mais orgânico, e a sensação que temos é de ver quase uma dramatização onde os atores são as personalidades em si. Uma sensação sem igual, que raramente é passada em documentários , já que a grande maioria deles possui aquelas cenas de pessoas paradas falando com a câmera. Aqui isso inexiste, e o que se passa é imersão na história verídica, como se estivéssemos ali, no momento em que ocorreu. Grande tato de quem realiza conseguir administrar tal feito.
O filme conta a história da carreira de Senna na Fórmula 1, e de passagem nesse período entram histórias dos pilotos e chefes de equipe que viveram ao lado de Senna. Amigos como Ron Dennis – que vive até hoje na Mclaren - , e rivais, como Alain Prost. Este em especial, tem tamanho destaque, que possui abertura para construção separada de seu personagem, quase como um antagonista . A relação com o presidente da FIA da época, Jean-Marie Balestre, também é mostrada , de maneira ainda mais sensacional, afinal, muitas das cenas em que Balestre aparece no filme são arquivos exclusivos, nunca antes mostrados.
Há entretanto quem reclame do longa colocar-se de maneira parcial, e empregar situações quase maniqueístas. Avaliando-se parte a parte, percebe-se que não há tanto disso. A luta de Senna contra a politicagem e favorecimeto na Fórmula 1 foi real, e o lado mais certo era do brasileiro, no mínimo. Na relação com o rival, no entanto, haverá polêmica . Prost é considerado um vilão em tela, é fato. Injustiça, com alguém que foi Tetra- campeão da Fórmula 1? Talvez. A verdade é que a arrogância e o estilo de Prost acabam favorecendo esta imagem, que se auto-associa a ele, sem nenhum filme precisar estampar. E se Senna teve um adversário potente para se contra-por, este foi Prost. Porém, ninguém sai em maus lençóis, ao final. Todos sabem , que apesar dos pesares, no fim de tudo, foi Prost um daqueles que carregou o caixão de Ayrton. Uma imagem de redenção? Para quem for mais para o lado do chavão, sim , mas a verdade é que nesta parte do filme todos são mais humanizados, como de fato na vida real. Inclusive a última frase explicita isso muito bem.
O filme em si só não se destaca mais porque o formato não permite. Uma colcha de retalhos de reportagens complica , por exemplo, a entrada mais expressiva do diretor. Kapadia, aliás, com o que tinha, fez muito, e conseguiu montar uma linha de raciocínio muito coerente e interessante, apesar de clássica. Ajuda muito a narrativa a trilha de Antonio Pinto, conhecidamente trsite, como em Colateral, mas também agressiva e ágil nas partes de corrida. No que o filme ganha pontos , de verdade, é na sua iniciaiva de mitificar Ayrton Senna, fazendo com que víssemos ele como o herói que foi. Como num épico que termina com a tragédia, Senna mostra seu herói nos momentos mais críticos, mas sempre procurando a glória. Esse ponto de vista definitivo e endeusador pode ser visto já no título do filme. Senna. Não algo mais intimista. Algo externo, que exacerba e coloca-o sobre o pedestal que merece. Mesmo que já testado anteriormente, este estilo funciona aqui de forma mais emocional e profunda. Excepcional.
Devo admitir que sempre quis ver uma obra definitiva da vida de Ayrton Senna nos cinemas . Agora ela existe.
5 Estrelas ***** - Nota 9,0
domingo, 7 de novembro de 2010
Old School Trailers - Parte 2
The Old School Trailers
O Ritual
O novo filme do diretor Mikael Hafstron, que fez Shangai num circuito mais restrito em 2009, aborda o terror dos exorcismos de uma maneira mais interessante, explorando o drama dos envolvidos e o próprio exorcismo
Sanctum
A nova produção de James Cameron tem um trailer competente que, apesar de não apresentar muitas surpresas, tem um tema conciso e planos belíssimos(coisa que as câmeras 3D virão a potencializar). Seguindo uma linha que lembra o clássico Das Boot, de Wolfgang Petersen, esse filme deve pelo menos suprir as expectativas regulares que o trailer transmite. Mas fica uma interessante observação aqui: Por que James Cameron deixa seus projetos mais difíceis e cults para os outros diretores hein?
Rabbit Hole
O novo filme do ousado diretor John Cameron Mitchell, de Shortbus, é baseado na peça de David Lindsay-Abaire e é roteirizado pelo mesmo. Para os fãs do Homem-Aranha, David era o responsável pelo roteiro do reboot até James Vanderbilt escrever a versão final. Nicole Kidman é uma mãe que tem que superar a perda do filho e Aaron Eckart faz seu marido. O trailer é montado de forma concisa, apresentando um ritmo lento e diálogos poderosos que são elevados dramaticamente pelas atuações. Nesse caso, é o filme para Kidman brilhar e isso pode implodir ou tornar o filme memorável. O trailer é competente e é um dos grandes filmes que prometem para o fim de 2010.
72 Horas
O novo filme do oscarizado Paul Haggis tende, infelizmente, a ser seu pior filme. Os relances de suspense de ação, com uma trama não muito convincente e os tiques de filmes de corrida contra o relógio podem prejudicar muito o que se espera de um filme de Haggis, conhecido pela sua pesada dramaticidade imposta, tão grande e competente que fez de Cassino Royale um dos melhores filme do 007. Porém, pode também acontecer que Haggis dê um passo a mais em sua carreira, dando um ar artístico a um gênero cansado como o thriller de perseguição. Agora é esperar e ver o que Haggis fará com sua primeira trama realmente de suspense, sem todo o drama de Crash e Menina de Ouro.